"SOU UM LABIRINTO EM BUSCA DE SAÍDA." (Vinícius de Moraes)







terça-feira, 8 de junho de 2010

HISTÓRIA DO SISTEMA DE BONDES NO RECIFE

RECIFE/PERNAMBUCO

Recife, capital do estado de Pernambuco, foi visitada em 11 de dezembro de 1928 pelo escritor brasileiro Mário de Andrade (1893-1945), quando viajava como cronista do Diário Nacional,obrigando-se a enviar diariamente textos para a coluna "O Turista Aprendiz".


O bonde é o centro dessa composição fotográfica de linhas e sombras que o escritor modernista captou com "Codaque", como ele designava a sua câmera Kodak.
A imagem foi publicada em "Mário de Andrade, Fotógrafo e Turista Aprendiz", editado em 1993 pelo Institutode Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (USP), em comemoração ao centenário de nascimento do escritor.


Foto cedida pelo pesquisador norte-americano Allen Morrison, de New York/EUA.

A imagem acima (da coleção do pesquisador Allen Morrison, de New York), é de um cartão postal do início doséculo XX, que circulava ainda em 1954, com a estação dos bondes junto ao Arco de Santo Antônio.
Destaca o especialista estadunidense Allen Morrison que Recife foi a segunda cidade brasileira (depois do Rio de Janeiro) a operar bondes a vapor, podendo ter sido a primeira no mundo a operar locomotivas a vapor construídas especialmente para rodar nas ruas. As duas primeiras dessas locomotivas foram construídas em 1866 pela Manning Wardle & Co. (de Leeds, Inglaterra) para a empresa inglesa Brazilian Street Railway, que no Brasil foi conhecida como Estrada de Ferro de Caxangá.
primeira linha de bondes a vapor, entre o porto e o bairro Apipucos, foi inaugurada em 5/1/1867, combitola de 1.219 mm (4 pés), sendo nesse ano estendida ao bairro Dois Irmãos e em 24/6/1870 a Caxangá. Um ramal para Arraial (Casa Amarela) começou a funcionar em 24/12/1871.
Outra linha, com bitola de 1,4 metro, foi instalada com capitais brasileiros da Trilhos Urbanos do Recife a Olinda e Beberibe, sendo inaugurada em Olinda a 20/6/1870, com o acréscimo no mês seguinte da rota para o rio Beberibe, usando também locomotivas inglesas da Manning Wardle e carros de passageiros fabricados por John Stephenson emNew York. Uma rota mais direta para Caxangá foi construída em 1885 e os trilhos passando por Dois Irmãos foramremovidos. Os bondes a vapor rodaram no Recife até a Primeira Guerra Mundial.
A Pernambuco Street Railway, depois Ferro-Carril de Pernambuco, abriu uma linha com tração animal para Madalena em 22/9/1871. Os primeiros veículos eram fechados como os ônibus locais e assim eram chamados de ônibus pelo público. Quando a empresa instalou luzes elétricas, os passageiros rebatizaram os bondes como electroburros. Usava-se então a mão de direção inglesa, pela esquerda da rua, como se pode notar na foto abaixo, e animais extraseram colocados ao longo do caminho para reposição dos que se cansassem:


Foto: autor desconhecido.

Apesar de seu espírito pioneiro, Recife foi a última das grandes capitais brasileiras a instalar bondes elétricos, depois de 21 outras cidades no Brasil. Isso ocorreu em 1912, com a Pernambuco Tramways & Power Company,criada em Londres em 24/1/1913, que iniciou os testes em 11/1913 e inaugurou a primeira linha elétrica (da área insular do Recife até Boa Vista, através da península de Santo Antônio) em 13/5/1914.
A linha de bondes a vapor para Olinda foi eletrificada em 12/10/1914 e a tração elétrica chegou a Várzea no ano seguinte. Os bondes a vapor para Dois Irmãos e Arraial foram substituídos por linhas elétricas em 1917 e o último deles rodou no Recife, até o Beberibe, em 1922.


Bonde elétrico no Recife, em foto cedida pelo pesquisador estadunidense Allen Morrison.

Muitos dos bondes abertos foram reconstruídos como modelos fechados de luxo para uma nova linha até a praia de Boa Viagem, inaugurada em 25/10/1924. Uma rota havia sido também planejada para Jaboatão, 8 km a Oeste de Tegipió, mas nunca foi construída. Na década de 1920, a Pernambuco Tramways operava 130 veículos motorizados e 110 reboques em 141 km de linhas, o terceiro maior sistema urbano de bondes no Brasil.
A partir de 1930, começaram a circular no Recife veículos fechados que o público apelidou de zépelins. Mas, a partirdo final da Segunda Guerra Mundial, o sistema de bondes declinou rapidamente. A linha da área insular do Recife até Santo Antônio foi eliminada em 1951, e o último bonde na cidade rodou de Boa Vista a Madalena - onde o primeiroveículo tracionado por cavalos tinha circulado 80 anos antes - em março de 1954.
Políticos locais acusaram a Pernambuco Tramways de quebra de contato e forçaram o reinício do serviço, com um veículo aberto simples rodando um dia apenas, de Boa Vista a Fundão, em 1960. O bonde 104 foi o último preservado em um parque na margem do rio, na Rua da Aurora, e transferido para o Museu do Homem do Nordeste em 1985.
Em 15/6/1960, a nova Companhia de Transportes Urbanos inaugurou o sistema de trólebus, que chegou a operar em nove rotas em 1980. Novas rotas de trólebus foram abertas em 1982. O serviço ferroviário suburbano, com locomotivas a diesel da Estação Central até Jabotão (20 km) e da Estação Cinco Pontas até Cabo (30 km)começou a ser eletrificado, operando como metrô interurbano a partir de 9/3/1985.
Crédito da matéria: http://www.novomilenio.inf.br/santos/bonden03.htm

MAPAS DA REDE E EVOLUÇÃO





MAIS FOTOS E INFORMAÇÕES (1867-1913)

Em 5 de janeiro de 1867 foram inaugurados os trilhos urbanos do Recife a Dois Irmãos. O trecho inic]ial partia da rua Formosa, começo da atual Conde da Boa Vista. A maxambomba era uma pequena locomotiva em que os maquinistas trabalhavam numa cabine sem coberta. A máquina puxava três vagões de dois andares.

Veja como foi a notícia no DIARIO:

“Começa hoje o serviço ordinário da via férrea do Recife ao Apipucos, limitado ao Caldeireiro, por ora; partindo o primeiro trem da rua Formosa às 3 horas da tarde. O preço é, como ontem dissemos, 200 réis por cada mil braças na lª. classe, única por ora enquanto durar o serviço provisório. Os pontos de paradado trem serão: rua da Soledade; depois da curva do Manguinho; em frente da estrada dos Aflitos; entre as casas dos srs. drs. Augusto de Oliveira e Gusmão; em frente da casa do sr. Luís Gomes; entrada do sítio da Jaqueira; saída do Parnamirim; entrada da Casa Forte; e no Chacon. As horas da partida são: 5 e meia, 7 e um quarto, 8 e três quartos da manhã; 3 e meia, 5 e 6 e meia da tarde, do Recife para o Caldeireiro; 6 e meia, 8 e 9 e meia da manhã; 4 e um quarto, 5 e três quartos e 7 e meia da tarde, do Caldeireiro para o Recife.Numa matéria paga, na mesma edição, os empresários da ferrovia explicavam por que a inauguração do serviço se dava em caráter precário. “Não sendo possível, pela considerável demora que houve na remessa dos últimos trilhos e outros objetos, pôr em andamento duas locomotivas, o serviço por agora será feito por uma somente, que conduzirá doiscarros, partindo às horas e dos lugares indicados na tabela que vai anexa”.
Link http://www.pernambuco.com/diario/2001/02/05/especial5_0.html


Uma das Locomotivas construídas no período de 1866-1870 por Manning Wardle & CO. em Leeds para a Estrada de Ferro de Caxangá. Eles diziam ser a primeira no mundo porjetada para operar em via pública.


Trem da E. F. de Caxangá, 1900 sobre o Rio Capibaribe.


Estação Ponte d'Uchôa, Av. Rui Barbosa - E.F.C.'s linha Apipucos, construída em 1865, existe até hoje.


Ticket - E.F.C., 1900.


Cia Ferroviária, trilhos urbanos do Recife a Olinda e Beberibe, foto no bairro de Fundão.


Ticket - Ferro Carril de Pernambuco, 1871.


F.C.P. linha para Afogados e Jiquiá, onde existia o campo de pouso do Zeppelin.


Bonde de tração animal, com mão Inglesa, na Rua 1º de Março.


Bonde na Praça da Independência - Santo Antônio, 1903.


Bonde na Ponte da Boa Vista.

MAIS FOTOS E INFORMAÇÕES (1914-1927)


Uma das 55 Locomotivas construídas em 1913 até 1921 para Pernambuco Tramways & Power Company, inaugurando o sistema elétrico em 1914.


Bonde elétrico inglês na Ponte Buarque de Macedo, postal de 8 de setembro de 1916.


Bondes na Av. Rio Branco.


Bonde na Ponte Maurício de Nassau, o sistema elétrico aposentava 47 anos de tração animal.


Bonde J. G. Brill (USA) encomenda de 30 carros da Pernambuco Tramways, os recifenses apelidaram de "Caixa de Fósforo".


Bonde da Companhia de Força e Transporte de Pernambuco.


Bondes para Olinda.


Praça da Independências, bondes para Casa Amarela e Derby.


Ponte da Boa Vista.






Bondes que serviam alguns bairros do Recife.


Estação do Bonde da Várzea.


Bondes na Av. Marques de Olinda.


Em 1924 a P.T. converteu seus Bondes abertos para fechados para a linha Boa Viagem.


Ao fim de 1930 a P.T. importou motores adicionais e controladores e carros da Inglaterra para um novo modelo fechado. Os operadores o apelidaram de "Gigolô".


Rua Nova, com 2 Bondes "Gigolôs".


Ponte do Pina - Linha de bonde para Boa Viagem.


Construção da Av Boa Viagem e sua linha de bonde, em 1923.


Av. Boa Viagem.

MAIS FOTOS E INFORMAÇÕES (1928-1960)


Bonde em alumínio "Zeppelin" nome e modelo inspirado após a chegada do dirigível Graf Zeppelin em Recife em 1930, o dirigível fez muito sucesso, o Bonde foi construído nas dependências da P.T.


Bonde no terminal da Praça Rio Branco. Todos os modelos Zeppelin funcionaram como sistema da Brill.


Praça Rio Branco e os vários modelos de Bondes, notem a linha ferroviária a vapor, hoje no Marco Zero, Recife.


Um novo modelo de Zeppelin, com porta central.


Foto tirada na Fernandes Vieira, nas "garagens" da P.T.


Acesso através de porta central foi um avanço tecnológico.


Saúde financeira não estava nas melhores condições, Bonde de segunda mão compradoda Syracuse, New York.


Foto de 1943.


Sinais de crise, modelo a partir de um Zeppelin, só que em madeira e não alumínio.




Linha de Olinda.


Bonde antigo, reformado para voltara a operar, trecho da Ponte Maurício de Nassau, 1943.


O fim estava chegando. Sem condições de comprar bondes novos, reformava-se os antigos.


Bonde Gigolô, em 1943.


Bonde de 1914 ainda funcionando na forma original em 1943.


Os bondes continuaram até 1960, quando a P.T. encerrou sua operação.




Na rua da Aurora, o que restou dos Bondes. Atualmente está exposto no pátio do Museu do Homem do Nordeste, em Casa Forte.


Do sistema, só restam os trilhos no centro do Recife.

EM 1960, COM O FIM DOS BONDES, O TRÓLEBUS SUBSTITUIU EM VÃO O EFICIENTE SISTEMA:



FIM DO EFICIENTE SISTEMA DE BONDES, O ÔNIBUS ELÉTRICO PASSA A DOMINAR O TRSNSPORTE PÚBLICO NO RECIFE:



segunda-feira, 7 de junho de 2010

O MELHOR DE EARL GRANT


Earl Grant nasceu em Idabel, Oklahoma, EUA, no dia 20/01/1931. Dono de extrema habilidade musical e de um timbre vocal naturalmente agradável, Earl desde muito jovem começou a estudar música e praticar diversos instrumentos, a exemplo do piano. Lançou seu primeiro disco em 1957, e imediatamente alcançou êxito de público e de crítica, graças a interpretação da música "The End", com a qual ganhou projeção mundial. A partir do prestígio adquirido com "The End", tornou-se um dos cantores mais requisitados nos Estados Unidos, ganhando espaços em rádios, programas de TV's e até mesmo na indústria cinematográfica, e vendendo milhões de discos. Clique nos títulos das músicas e aprecie o talento do pianista e cantor Earl Grant:

UMA BURKA PARA GEISY (MIGUEZIM DE PRINCESA*)


I
Quando Geisy apareceu
Balançando o mucumbu
Na Faculdade Uniban,
Foi o maior sururu:
Teve reza e ladainha;
Não sabia que uma calcinha
Causava tanto rebu.

II
Trajava um mini-vestido,
Arrochado e cor de rosa;
Perfumada de extrato,
Toda ancha e toda prosa,
Pensou que estava abafando
E ia ter rapaz gritando:
"Arrocha a tampa, gostosa!"

III
Mas Geisy se enganou,
O paulista é acanhado:
Quando vê lance de perna,
Fica logo indignado.
Os motivos eu não sei,
Mas pra passeata gay
Vai todo mundo animado!

IV
Ainda na escadaria,
Só se ouvia a estudantada
Dando urros, dando gritos,
Colérica e indignada
Como quem vai para a luta,
Chamando-a de prostituta
E de mulherzinha safada.

V
Geisy ficou acuada,
Num canto, triste a chorar,
Procurou um agasalho
Para cobrir o lugar,
Quando um rapaz inocente
Disse: "oh troço mais indecente,
Acho que vou desmaiar!"

VI
A Faculdade Uniban,
Que está em último lugar
Nas provas que o MEC faz,
Quis logo se destacar:
Decidiu no mesmo instante
Expulsar a estudante
Do seu quadro regular.

VII
Totalmente escorraçada,
Sem ter mais onde estudar,
Geisy precisa de ajuda
Para a vida retomar,
Mas na novela das oito
É um tal de molhar biscoito
E ninguém pra reclamar.

VIII
O fato repercutiu
De Paris até Omã.
Soube que Ahmadinejad
Festejou lá no Irã,
Foi uma festa de arromba
Com direito a carro-bomba
Da milícia Talibã.

IX
E o rico Osama Bin Laden,
Agradecendo a Alá,
Nas montanhas cazaquistãs
Onde foi se homiziar
Com uma cigana turca,
Mandou fazer uma burca
Para a brasileira usar.

X
Fica pra Geisy a lição
Desse poeta matuto:
Proteja seu bom guardado
Da cólera dos impolutos,
Guarde bem o tacacá
E só resolva mostrar
A quem gosta do produto.

* Para quem não conhece o cordelista Miguezim de Princesa, nada mais pertinente do que obter as informações através de uma descrição feita pelo próprio poeta, nos versos abaixo:

Meu nome é Miguel Lucena,
o Miguezim de Princesa,
saio espalhando alegria
para espantar a tristeza;
no entulho da feiúra
boto um rio de beleza.

Meu pai é Migué Fotografo,
minha mãe é dona Emília,
minha casa é de oito irmãos,
meu filho é uma maravilha,
minha mulher é meu amparo,
meu coração é família.

Concursado delegado,
há duas décadas jornalista,
vivo a escrever versos tortos,
inspirado em repentista,
a quem me chama doutor:
eu sou mesmo é cordelista.

domingo, 6 de junho de 2010

O MELHOR DOS TITÃS


No fim dos anos 70, em plena ditadura militar, um colégio em São Paulo se tornou um dos poucos pontos de resistência cultural. No palco do Equipe se apresentavam artistas de peso da música brasileira como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Clementina de Jesus e Cartola. Com essa efervescência, foi natural que os jovens com interesses artísticos acabassem se aproximando e criando espaços próprios. O evento “A Idade da Pedra Jovem”, promovido por essa turma em 1981, marcou a estréia de Sérgio Britto, Arnaldo Antunes, Paulo Miklos, Marcelo Fromer, Nando Reis, Ciro Pessoa e Tony Bellotto num mesmo palco. Juntos, eles formavam o grupo Titãs do Iê-Iê, uma brincadeira para descontrair uma programação apresentada por gente com mais experiência do que aqueles meninos. O que era para ser apenas diversão começou a ser encarado mais seriamente , tanto que no dia 15 de outubro de 1982 os Titãs do Iê-Iê, devidamente ensaiados e com repertório próprio, estreava oficialmente, no Sesc Pompéia. Durante dois anos, os Titãs do Iê-Iê percorreram o circuito underground paulista, se apresentando em lugares tão ecléticos quanto o som que mostravam no palco. Não demorou muito para que a performance do grupo despertasse a atenção de uma gravadora e começasse a fazer no disco o mesmo sucesso que conseguiam fazer nas suas apresentações ao vivo. No final da década de 80, já com o Brasil aos seus pés o grupo partiu para a estréia internacional, tornando-se os primeiros artistas do país a se apresentarem na Noite de Rock do badalado Festival de Jazz de Montreux. Clique nos títulos das músicas e reviva algumas das mais emocionantes interpretações dos Titãs:

WE ARE THE WORLD / 1985


Gravada em 1985, a música We Are the World, escrita por Michael Jackson e Lionel Richie, tinha como finalidade arrecadar fundos para a campanha USA FOR AFRICA, em benefício de famílias da África. O clipe de We Are the World reuniu 44 dos maiores astros da música mundial, entre os quais Cyndi Lauper, Diana Ross, Harry Belafonte, Ray Charles, Stevie Wonder e Willie Nelson, além dos autores, Michael e Lionel. A produção foi de Quincy Jones, que também fez a regência do grupo. A iniciativa foi um absoluto sucesso, pois o single, o LP e o clipe (vide abaixo) renderam milhões de dólares, tornando-se um marco de solidariedade para com os menos favorecidos.